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Agosto 29, 2005

A nossa relatividade (ep. IV)

Sempre procurou a causa das coisas sem nunca se aperceber que deveria procurar as suas consequências, nunca pensou no futuro sempre no presente, sempre apoiado na relatividade das coisas, sem nunca se preocupar com as coisas da relatividade…” não há vantagem em pensar que amanhã vai ser um bom dia se posso acordar mal disposto e não o aproveitar, ou se pode acontecer qualquer coisa logo de manhã que estrague o resto do dia?”
Os dias oscilavam entre o bom e o muito mau, cedo tinha perdido a noção do que seria muito bom, se calhar porque a sua infância foi, na realidade, muito boa, perdeu a sensibilidade para apreciar as coisas boas da vida. De facto, todo o processo de crescimento pós infância ou se quiserem pré adolescência até à fase adulta foi feita de exageros, e de atentados à sua vida mental e física. Várias foram as decepções que o acompanharam durante este tempo, e todas elas serviram como bodes expiatórios para as suas acções, não raras vezes ele provocava, umas vezes conscientemente outras nem por isso, essas decepções para que na sua cabeça existisse uma razão plausível para o que fazia…
Engraçado como até estas coisas são relativas e cada um tem a sua opinião sobre elas, é difícil assumir as coisas como elas são e ele assumia-as quando enfrentava um espelho… talvez daí tenha nascido algum rancor por eles, às vezes parecia que só a eles contava a verdade, ou melhor que só eles percebiam a sua dor. Sabem, é que seriam provavelmente os únicos que soltavam lágrimas quando o ouviam e isso, por alguma razão fazia-o sentir menos sozinho…
Muitas foram as cicatrizes ganhas ao longo destes tempos chegou, em certa altura, a acreditar que o fazia por amor a Deus, sabia da existência de ordens religiosas que tomavam a flagelação como um sinal de temor a deus, até isso ele usou como uma desculpa… Estas ordens agora são muito conhecidas pela existência de alguns livros que entretanto saíram para o mercado, mas na altura não era fácil saber estas coisas, na altura o Da Vinci não tinha um código, tinha apenas obras de arte e estudos, por isso este tipo de desculpas não eram fáceis de encontrar, o que o levava a cair mais um bocado quando pensava que perdia mais tempo a procurar desculpas para o que fazia do que a procurar uma maneira de o deixar de fazer, é que não é fácil esconder certas coisas, principalmente quando elas gritam e lutam para chegar aos olhos dos outros.

1 Comments:

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11:07 AM  

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